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Estudos de Literatura Brasileira Contemporânea


A Revista Estudos de Literatura Brasileira Contemporânea é uma publicação semestral do Grupo de Estudos em Literatura Brasileira Contemporânea, da Pós-Graduação em Literatura da Universidade de Brasí­lia. A revista tem o compromisso de fomentar o debate crí­tico sobre a literatura contemporânea produzida no Brasil, em suas diferentes manifestações, a partir dos mais diversos enfoques teóricos e metodológicos, com abertura para o diálogo com outras literaturas e outras expressões artí­sticas.
ISSN 2316-4018 (On-line)   -  Qualis A1
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LIVROS PUBLICADOS



Lucía Tennina, Mário Medeiros, Érica Peçanha e Ingrid Hapke. Polifonias marginais. Rio de Janeiro: Aeroplano, 2016.

Berlim, Buenos Aires, Campinas, São Paulo. Ciências Sociais e Teoria Literária. Dois continentes, três países e idiomas, quatro pesquisadores e seis trabalhos acadêmicos. Periferia, negritude, ativismo político e cultural, movimentações literárias. Polifonias marginais surge do encontro de estudiosos de diferentes percursos e motivações que se debruçaram sobre as chamadas literaturas negra, marginal e periférica, e agora expõem as entrevistas feitas em seus trabalhos individuais para além das páginas de suas teses. Um livro que apresenta múltiplos discursos. Escritores, rappers, poetas e organizadores de saraus, donos de bares onde acontecem recitais literários conversam, direta ou indiretamente, segundo temas distribuídos em quatro capítulos: “Sistema literário, ativismo político-cultural negro e periférico” (por Mário Medeiros), “Trajetórias, atuação e produção cultural” (por Érica Peçanha), “Das teorias periféricas” (por Ingrid Hapke) e “Saraus: poesia, gestão e território” (por Lucía Tennina). Um retrato polifônico do que sejam as literaturas negra, marginal e periférica hoje, à altura de suas importâncias.





Stefania Chiarelli e Godofredo de Oliveira Neto (org.). Falando com estranhos: o estrangeiro e a literatura brasileira. Rio de Janeiro: 7Letras, 2016.

Os dezessete capítulos que compõem o volume trabalham com modos de representação da alteridade, investigando formas e dicções na literatura brasileira para falar do estrangeiro e do imigrante. Além de artigos dos organizadores, há textos de Silviano Santiago, Nelson Vieira, Maria Zilda Cury, Angela Maria Dias, Paulo Tonani do Patrocínio, Paloma Vidal, Masé Lemos, Giovanna Dealtry, Muna Onram, Claudete Daflon, Ana Maria Silva, Eurídice Figueiredo, Alcmeno Bastos, Daniela Versiani e Beatriz Resende. No livro, "o leitor encontra não somente uma análise estética de textos literários que tematizam a alteridade, mas se defronta com a intenção de pensar o compromisso político do crítico – aquele que deve assumir a responsabilidade pelos passados não ditos a assombrar o presente histórico, conforme assinala Homi Bhabha. Neste espaço empreendemos, portanto, uma mirada movida pelo desejo de solidariedade, do encontro possível referido pelo crítico indiano, recortando do heterogêneo conjunto da literatura brasileira episódios em que esses estrangeiros passam a protagonistas, ou a elementos centrais para a compreensão das narrativas. Dito de outra forma: desobedecendo ao conhecido ditado, aqui se pretende falar de e com estranhos. Olhar para esses escritos é compreender a literatura em sua complexidade e variedade".



Ricardo Barberena e Regina Dalcastagnè (org.). Do trauma à trama: o espaço urbano na literatura brasileira contemporânea. Porto Alegre: Luminara, 2015.

O livro é formado por um conjunto de artigos de pesquisadores do Brasil e do exterior que têm por fio condutor a noção de espaço urbano como cenário e reflexo das negociações identitárias e subjetivas entre os diversos grupos sociais que nele circulam. A cidade e seus lugares não são simples substratos para os embates identitários entre indivíduos e grupos: são constituídos pelos deslocamentos, as normas de convivência ou segregação, os discursos, as práticas e os traumas desses indivíduos e grupos. Além dos fenômenos migratórios e de exílio, que crescentemente questionam a autoridade tradicional dos Estados, há no mundo contemporâneo uma onda de reconfiguração dos limites internos da cidade, em sua organização centro-periferia, problematizada por vozes de minorias que lutam para serem ouvidas e para ir além dos limiares desenhados politicamente para silenciá-las ou obscurecê-las. Os artigos pretender discutir, sem oferecer respostas fechadas, de que modo os recursos estéticos da forma literária dão vazão a esses fenômenos e impasses do contemporâneo, acompanhando suas transformações e suas resistências.






Sandra Regina Goulart Almeida. Cartografia contemporâneas: espaço, corpo, escrita. Rio de Janeiro: 7Letras, 2015.

Partindo da hipótese de que as narrativas contemporâneas de autoria feminina, em especial, falam prioritariamente do espaço contemporâneo – pós-colonial, transnacional, translocal, diaspórico, multicultural e globalizado –, irremediavelmente marcado pelas questões de gênero, Sandra Regina Goulart de Almeida traz para a discussão uma reflexão sobre as possíveis e diferentes formas de articular o espaço através da escrita. Trabalhando com uma abordagem comparatista e na esteira teórica dos estudos culturais, da crítica literária feminista e dos estudos de gênero, o livro apresenta um recorte metodológico que privilegia obras de escritoras que elegem a vivência do trânsito como uma marca textual, e não necessariamente autoral. Muitas dessas autoras experimentaram as possibilidades ou enfrentaram os percalços da movência transcultural ou a carregam como herança familiar, expressando em suas obras uma mescla de afiliações nacionais e subjetivas das mais variadas. Os temas escolhidos pelas escritoras, bem como a análise de suas diferentes estratégias narrativas, levam a uma reflexão significativa sobre os vários movimentos contemporâneos.





Pedro Mandagará e Rita Terezinha Schmidt (org.) Sustentabilidade: o que pode a literatura? Santa Cruz: Editora da UNISC, 2015.



A partir da noção-chave de sustentabilidade, o livro investiga problemáticas contemporâneas ligadas a diversas crises por que passamos. O tempo presente nos impõe, a cada momento, uma posição relativa a temas como o aquecimento global, a poluição, a extinção em massa de espécies e o etnocídio. Esses hiperobjetos (como conceituou Timothy Morton) dizem respeito ao mesmo tempo a todos os seres sobre a terra e a cada um de nós, afetando desde nosso corpo (afinal, é o ar que respiramos) até a sobrevivência dos oceanos. Como campo, os estudos literários não podem ficar alheios a essas grandes preocupações de nosso tempo. Este livro trata desde temas relacionados diretamente à ecologia, como os direitos animais, até conexões que perpassam de maneira menos óbvia o discurso sobre a sustentabilidade, como a crise do humano e do humanismo. Suas cinco partes reúnem capítulos de quinze autores. Na primeira parte, investiga-se a condição animal na literatura, tanto em perspectiva teórica como analítica. A segunda se detém na literatura ameríndia, norte-americana e brasileira. A terceira parte investiga o humano a partir de seus limites e de sua necessária contingência. Na quarta parte, diversas temáticas contemporâneas, desde a crítica queer até a educação, revelam suas conexões com o tema da sustentabilidade. Por fim, alguns contextos específicos (rio-platense, chinês e japonês) são investigados em profundidade. 



Regina Dalcastagnè e Virgínia Maria Vasconcelos Leal (orgs.). Espaço e gênero na literatura brasileira contemporânea. Porto Alegre: Zouk, 2015.


Cada vez mais, o espaço tem se tornado categoria fundamental para a compreensão do mundo e dos processos contemporâneos de formação das identidades. Não é diferente na configuração do campo literário e em sua análise. Nas narrativas brasileiras, onde podem ser percebidos deslocamentos, disputas e apaziguamentos de identidades tradicionalmente colocadas em seus “devidos lugares” e que, agora, não mais se acomodam, como é o caso das mulheres, a atenção ao espaço é crucial. “Mulheres” entendidas, é claro, como um grupo heterogêneo e complexo, formado por identidades múltiplas e contraditórias, que não se esgotam no sexo biológico ou no gênero, mas que, em grande medida, partilham pressões e expectativas impostas por uma sociedade que continua marcada pela dominação masculina. Assim, todos os artigos que compõem este volume tratam de escritoras que problematizam a questão do espaço e do gênero. Não por coincidência, o livro reúne trabalhos de pesquisadoras envolvidas com as discussões sobre as identidades de gênero, mas com uma preocupação transversal, levando em conta sua intersecção com a classe social, a etnia, a nacionalidade, a orientação sexual, entre outras. E todas enfatizam a importância do local de fala. Afinal, saber quem constrói representações alternativas às visões dominantes e estereotipadas é questão central, tanto na esfera da produção literária quanto de sua crítica.


Regina Dalcastagnè e Luciene Azevedo (orgs.). Espaços possíveis na literatura brasileira contemporânea. Porto Alegre: Zouk, 2015.

Este livro propõe uma discussão sobre as configurações do espaço na literatura brasileira contemporânea – espaço que reflete confrontos e hierarquias sociais e que é, ele próprio, objeto de rivalidade e signo das diferenciações entre grupos e agentes. Nos textos aqui reunidos, o espaço físico em que se situam narrativas e se deslocam personagens, que é sempre simultaneamente um espaço simbólico que atribui valorações distintas a quem dele participa, é colocado em questão junto com o campo literário, espaço metafórico em que ocorrem a movimentação e os embates de suas/seus agentes – autoras/es, leitoras/es, editoras/es, críticas/os, tradutoras/es, livreiras/es etc. Neste sentido, mais do que apenas buscar os modos como o espaço aparece representado na literatura brasileira contemporânea, procura-se discutir as tensões estabelecidas a partir de relações conflituosas com o espaço vivenciadas dentro e no entorno das obras. Ao pensar a cidade, palco quase exclusivo da produção literária contemporânea, parte-se do princípio de que ela não é um espaço homogêneo, mas fragmentado e, sobretudo, hierarquizado, marcado por interdições tácitas, que definem quais habitantes podem ocupar quais lugares. Na base destas hierarquias urbanas, estão as principais assimetrias sociais – vinculadas a classe, sexo, raça, orientação sexual, idade, deficiência física. É importante, então, observar de que forma a literatura brasileira contemporânea reage a essa situação.



Ricardo Barberena e Vinícius Carneiro (orgs.). Das luzes às soleiras: perspectivas críticas na literatura brasileira contemporânea. Porto Alegre: Luminara, 2014.

Este livro surge do percurso dinâmico entre diferentes espaços na literatura, tratando, em essência, do conceito de limiar, o qual não separa dois territórios, mas, contrariamente, possibilita a transição de fluxos e contrafluxos. Na passagem das luzes da modernidade às soleiras da contemporaneidade, ocorre uma substituição na nossa gramática teórica, em que se abandona a categoria de limite: na soleira da escritura, no limiar entre as áreas, é impossível determinar onde acaba e onde começa a especificidade de cada espaço de conhecimento. E sair de uma zona hermenêutica de conforto pode ser algo desafiante à relação que estabelecemos com o cotidiano e seus atores. Sendo assim, visitar o limiar é manifestar um desejo de não adesão aos valores triunfantes das narrativas oficiais e canonizadas, é compreender a literatura como um campo minado de batalhas de um conhecimento em constante metamorfose. Nas palavras de João Gilberto Noll, que assina a orelha do livro, “é da força que pode advir nesse universo ficcional que surge a sua função política, não um regramento salvacionista, as microexplosões balsâmicas que afastam o leitor do conformismo, abrindo-lhe de surpresa um limiar”. Assim, o livro, composto de 15 ensaios de especialistas em literatura no Brasil e no exterior, é resultado de múltiplos encontros e trânsitos entre variados escritores e temas contemporâneos. 




Rebecca J. Atencio. Memory's Turn: Reckoning with Dictatorship in Brazil. Madison: University of Wisconsin Press, 2014.

Após vinte e um anos de ditadura militar, o Brasil começou sua transição para a democracia em 1985. Durante as duas décadas seguintes, porém, houve um silêncio oficial sobre os crimes contra direitos humanos cometidos por agentes do Estado – crimes que incluíram tortura, assassinato e desaparecimento forçado de opositores do regime autoritário. O livro conta a história da virada rumo à memória no Brasil, tanto na política como na produção cultural. A autora mostra como testemunhos, telenovelas, romances, peças de teatro e espaços da memória interagem com políticas adotadas pelo Estado brasileiro. Em certas circunstâncias, esta interação produz o que ela chama de ciclos da memória cultural. Cada ciclo reelaboraria o significado do passado e abriria caminho para outras obras culturais, criando a possibilidade para novos ciclos. O livro analisa desde os testemunhos e a Lei da Anistia, a partir de obras como Em câmara lenta, de Renato Tapajós, O que é isso, companheiro?, de Fernando Gabeira, e Os carbonários, de Alfredo Sirkis, até a história recente do prédio que, durante a ditadura, sediou o DOPS em São Paulo, explorando as diversas iniciativas para transformá-lo em um espaço da memória, incluindo uma peça de teatro e o atual Memorial da Resistência.




Lucía Tennina (org.). Saraus: Movimiento/Literatura/Periferia/São Paulo. Buenos Aires: Tinta Limón, 2014.

A antologia, resultado de anos de pesquisas da autora sobre o tema, apresenta um panorama do autodenominado “Movimento de Literatura Marginal”, surgido no final da década de 1990 nas periferias de São Paulo e que vem conseguindo reconhecimento a partir de diversas práticas literárias. A primeira parte do livro reúne os nomes mais conhecidos da cena marginal/periférica, que deram início ao Movimento, como Ferréz, Alessandro Buzo, Sérgio Vaz, Sacolinha, Allan da Rosa e Binho. Na segunda parte, estão incluídos poemas, muitas vezes inéditos, que circulam pelos bares das periferias nas noites de sarau, todos eles escritos por poetas que vem dando continuidade ao Movimento. Numa terceira parte, a antologia apresenta uma seleção de manifestos, gênero privilegiado por este grupo de escritores. O livro se fecha com um anexo composto pelas biografias dos escritores e por um texto de Heloísa Buarque de Hollanda, que faz uma comparação entre a produção marginal dos anos 1970 e a atual. O livro conta, também, com fotografias e grafites feitos por artistas da região.




Sara Brandellero (org.). The Brazilian road movie book: journeys of (self)discovery. Cardiff: University of Wales Press, 2013.



O volume, dedicado ao gênero do road movie no Brasil, reúne dez capítulos de especialistas brasileiros, europeus e norte-americanos que analisam como a iconografia da estrada e o tema da viagem têm articulado construções identitárias no contexto brasileiro: de subjetividades individuais (principalmente de gênero, raça e classe) a construções identitárias nacionais e transnacionais. Incluindo estudos que abordam o cinema brasileiro a partir do anos 1920 até hoje, o livro questiona percepções convencionais deste gênero cinematográfico (tradicionalmente associado ao cinema norte-americano) e considera como ele emerge e se desenvolve no contexto brasileiro.





Susanne Klengel, Christiane Quandt, Peter W. Schulze e Georg Wink (orgs.). Novas vozes: Zur brasilianischen Literatur im 21. Jahrhundert [Novas vozes: sobre a literatura brasileira no século 21]. Frankfurt: Vervuert, 2013.



Com o avanço econômico dos últimos anos, o Brasil se tornou foco de interesse internacional e sua literatura, de algum modo, vem se posicionando dentro da nova ordem mundial. Apesar desta crescente presença internacional, os autores contemporâneos brasileiros ainda são pouco conhecidos nos países de língua alemã. Esta coletânea oferece uma orientação geral sobre a produção literária no novo milênio e investe na análise de algumas obras representativas. A partir de cinco campos temáticos – a construção literária de identidades, a prática poética no espaço social, a nova literatura urbana, as novas tendências de internacionalização e as relações entre texto e imagem – os 17 capítulos examinam textos de Santiago Nazarian, Fernando Monteiro, Carola Saavedra, Chico Buarque, Paulo Lins, Dinha, André Sant’Anna, Luiz Ruffato, Nelson de Oliveira, Paulo Ribeiro, Bernardo Carvalho, Adriana Lisboa, Tatiana Salem Levy, João Paulo Cuenca e Lourenço Mutarelli.





Sophia Beal. Brazil under Construction: Fiction and Public Works. New York: Palgrave Macmillan, 2013.

O Brasil investiu em projetos de construção ambiciosos ao longo do século XX, como a criação de uma nova capital, extensas redes de rodovias e usinas hidrelétricas. Para além de seus propósitos práticos, essas obras públicas tornaram-se símbolos significativos da modernidade do país, que buscavam inspirar nos cidadãos brasileiros noções de conexão e de progresso. No entanto, a ficção brasileira expõe as tensões entre a infraestrutura construída para o bem comum e o lado oculto das obras públicas: remoções, devastação ambiental, acesso desigual, exploração e deterioração urbana. Este livro analisa os recursos utilizados pelos escritores em suas narrativas– tais como mistério, contradição, jogo de palavras e fantasia – para revelar o papel sem precedentes das obras públicas na formação da percepção de modernização do Brasil.








Paloma Vidal, Stefania Chiarelli e Giovanna Dealtry (orgs.). O futuro pelo retrovisor: inquietudes da literatura brasileira contemporânea. Rio de Janeiro: Rocco, 2013.

Não mais ruptura, e sim reinvenção. Munida de um astuto senso bricoleur, a literatura brasileira contemporânea tem revisitado intensamente o passado. E, nesse movimento, opera uma espécie muito peculiar de pilhagem – aquela baseada no atrito entre diferentes temporalidades, entre as distintas formas de reinventar o moderno. Em O futuro pelo retrovisor, 17 estudiosos observam a obra de 17 autores nacionais, buscando analisar diferentes aspectos dessa reapropriação do passado. Com isso, derrubam um estereótipo corriqueiro na crítica atual: o de que toda a novidade na ficção nacional de agora consiste numa “multiplicidade impossível de circunscrever”. Ao mesmo tempo, a reunião de artigos constata como o lugar da crítica literária é, hoje, indissociável do da própria literatura. E mostra como ambos preservam, nas raias da atualidade, o que a ficção tem de melhor: seu poder de inquietude.







Regina Dalcastagnè. Literatura brasileira contemporânea: um território contestado. Rio de Janeiro/Vinhedo: Editora da UERJ/Horizonte, 2012.


Resultado de quinze anos de pesquisa, o livro traz uma análise aprofundada sobre a narrativa brasileira contemporânea. Atenta a quem escreve e sobre quem se escreve, a autora investiga a literatura como artefato social, que dialoga com sua própria história e com o mundo que a cerca, inserida num campo de produção formado por autores, editores, críticos e leitores. O panorama que aqui surge do romance e do conto brasileiros das últimas décadas se baseia na leitura cuidadosa de um conjunto expressivo de obras representativas, revelando as estratégias discursivas que envolvem diferentes procedimentos estéticos e diferentes interesses políticos. O território contestado da literatura brasileira contemporânea é aquele em que a dicção e a temática populares lutam para obter legitimidade, em que o monopólio da voz é questionado e em que o enfrentamento entre os criadores e as questões do seu tempo chega a resultados que não estão determinados de antemão.





Regina Dalcastagnè (org.). Histórias em quadrinhos: diante da experiência dos outros. Vinhedo: Horizonte, 2012.


As histórias em quadrinhos que, até bem pouco tempo atrás, só entravam de contrabando nas mochilas escolares, vêm adquirindo um novo status no Brasil. A tradução e a publicação de álbuns cada vez mais sofisticados, a abertura de espaços próprios para os quadrinhos nas grandes livrarias, as resenhas em jornais e revistas, a participação de quadrinistas em feiras literárias, em programas de entrevistas e em eventos acadêmicos legitima, de algum modo, uma produção que sofria o duplo preconceito de ser, ao mesmo tempo, “literatura de massa” e “destinada a crianças e jovens” – o que servia, em última instância, para desqualificar uma expressão artística a partir da desqualificação (etária e de classe) de seus consumidores. Nada de muito incomum no campo cultural, onde a distinção de alguns se faz a partir da desvalorização do “gosto” de outros. Neste livro estão reunidos trabalhos que foram apresentados e debatidos nas Jornadas de Estudos sobre Romances Gráficos, que vêm acontecendo na Universidade de Brasília com organização do Grupo de Estudos em Literatura Brasileira Contemporânea. São diferentes aproximações, com diferentes abordagens desse fenômeno que sofre contínuas transformações.  


Luiz Antonio de Assis Brasil (coord.), Camila Canali Doval, Camila Gonzatto da Silva, Gabriela Silva (orgs.). A escrita criativa: pensar e escrever literatura. Porto Alegre: EdiPUCRS, 2012.


O livro é uma antologia de artigos e textos ficcionais sobre o processo da escrita criativa. Ele surgiu a partir da experiência do escritor e professor Luiz Antonio de Assis Brasil, que trouxe dos Estados Unidos os modelos amplamente difundidos de Creative Writing, desenvolvendo-os em suas oficinas literárias nos últimos 30 anos. As organizadoras foram suas alunas no curso de pós-graduação em Escrita Criativa da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul.











Ana Maria Lisboa de Mello, Camila Gonzatto da Silva, André Brayner de Farias, Marcelo Leandro dos Santos e Ricardo Timm de Souza. Literatura e psicanálise: encontros contemporâneos. Porto Alegre: Dublinense, 2012.

O livro reúne 26 pesquisadores do Brasil e da Argentina com as mais variadas procedências – filosofia, literatura, psiquiatria, psicanálise, ciências jurídicas, criminologia, cinema –, que buscam promover um profundo intercâmbio entre a literatura e a psicanálise, áreas que estão em constante diálogo com outras áreas das ciências humanas. Segundo os organizadores, “a literatura foi sempre o comércio vivo com as profundidades e a interlocução aberta com infinitos fantasmas palpáveis; sua substância sobrevive, solidamente, em meio à fatuidade do banal”. E a psicanálise, “resgatando estilos primogênios de abordagem do real e do significado, avança na temporalidade descoberta, perdura e se reconstrói em meio à platitude de um mundo aparentemente desprovido de memória, construindo e reconstruindo sua própria narrativa”.






Carmen Villarino Pardo e Luiz Ruffato (orgs.). O conto brasileiro contemporâneo. Galiza: Edicións Laiovento, 2011.

O livro reúne 21 contos de autores que se projetaram no Brasil das últimas décadas. Organizada pela pesquisadora da Universidade e Santiago de Compostela Carmen Villarino Pardo e pelo escritor Luiz Ruffato, a coletânea tem em vista, especialmente, os estudantes de literatura brasileira na Europa. A proposta dos organizadores é apresentar "uma variedade de temas e estilos que convivem, como os seus autores e autoras nesta virada de século, num momento do sistema literário brasileiro em que é perceptível o crescimento do número de pequenas editoras, de blogues literários, de revistas literárias, de feiras e eventos literários ao longo do país em que a figura do escritor é central e que não se traduz, diretamente, num incremento no número de leitores/as".







Regina Dalcastagnè e Paulo C. Thomaz (orgs.). Pelas margens: representação na narrativa brasileira contemporânea. Vinhedo: Horizonte, 2011.

Os textos que formam este volume têm em comum a ambição de entender a narrativa brasileira contemporânea pelas margens. Há tanto a preocupação de escutar as vozes que se encontram nas margens do campo literário – aquelas vozes cuja legitimidade para produzir literatura é posta em questão e que, ao mesmo tempo, tensionam, com a sua presença, nosso entendimento do que é (ou deve ser) o literário – quanto com as representações dos marginalizados, que estão afastados dos espaços sociais de produção discursiva e, assim, quase sempre são apresentados por meio de um olhar externo. E há, por fim, a preocupação com as margens do discurso, tal como apontadas por Stuart Hall: o fato de que o significado do texto literário – bem como da própria crítica que a ele fazemos – se estabelece num fluxo em que tradições são seguidas, quebradas ou reconquistadas e as formas de interpretação e apropriação do que se fala permanecem em aberto. Trabalhando no âmbito do Grupo de Estudos em Literatura Brasileira Contemporânea, as pesquisadoras e os pesquisadores que integram o livro se debruçam sobre questões que envolvem a teorização crítica do que entendemos por representação, o papel do intelectual nos domínios do exercício desta exclusão e os modos discursivos literários que formulam novas cenas para a ficção contemporânea.



Mário Cámara, Lucía Tennina e Luciana di Leone (orgs.). Experiencia, cuerpo y subjetividades: nuevas reflexiones. Literatura argentina y brasileña del presente. Buenos Aires: Santiago Arcos, 2011.


O livro reúne textos assinados por um conjunto de especialistas da Argentina e do Brasil que abordam diferentes objetos literários e/ou culturais em torno de três questões básicas: o corpo, as subjetividades e as novas experiências da contemporaneidade. Os ensaios propõem discussões sobre problemas que cercam as pesquisas sobre o contemporâneo: a intuição de que a literatura encontra-se fora de seus próprios domínios, a consciência da necessidade de se recontar a história e de se reatar a relação com as origens, a constatação de que nossas experiências já não podem ser pensadas a partir da tradicional oposição público e privado, o desejo de construir uma máquina de leitura transnacional, transversal e diaspórica que atravesse diferentes artes e territórios, respondendo melhor à multiplicidade de experiências que nos constitui. O livro contém artigos de Gonzalo Aguilar, Raul Antelo, Jordana Blejmar, Mario Cámara, Edgardo Dieleke, Luciana Di Leone, Nancy Fernández, Florencia Garramuño, Gabriel Giorgi, Ana Kiffer, Diana Klinger, Florencia Malbrán, Alexandre Nodari, Cecilia Palmeiro, Fermín Adrián Rodríguez, Marcos Siscar, Mariano Siskind, Lucía Tennina, Paloma Vidal, Fernando Villarraga Eslava e Jorge Wolff.



Sara Brandellero. On a knife-edge: the poetry of João Cabral de Melo Neto. Oxford: Oxford University Press, 2011.


Primeiro livro publicado em inglês sobre o poeta João Cabral de Melo Neto, On a knife-edge traz uma análise detalhada de sua obra tardia, enfocando A escola das facas (1980), Auto do Frade (1984), Agrestes (1985), Crime na Calle Relator (1987) e Sevilha andando (1994). O estudo procura rever leituras que privilegiam visões de João Cabral como o poeta da clareza e da precisão, propondo, em seu lugar, uma abordagem que destaca o uso da ambiguidade na articulação de uma poética altamente política. Uma vez que, como diplomata de carreira, Cabral escreveu a maior parte de sua obra fora do Brasil, é analisada, também, a maneira como suas viagens e os encontros com diferentes paisagens naturais e humanas contribuíram para a construção de uma poesia dedicada à crítica dos problemas sociais e políticos.






Regina Dalcastagnè e Anderson Luís Nunes da Mata (orgs.). Fora do retrato: estudos de literatura brasileira contemporânea. Vinhedo: Horizonte, 2010.

Neste volume, voltamos nossa atenção para aquelas pessoas, grupos, sensibilidades e ideias situados “fora do retrato” – que ficaram do lado de fora, ao longo da história da nossa literatura, e ainda hoje, em geral, lá permanecem, apesar de avanços que não se podem negar. Mas esta ausência não é entendida como uma completa anulação. O projeto de pesquisa do Grupo de Estudos em Literatura Brasileira Contemporânea que deu origem aos capítulos que se seguem foi organizado em torno da ideia de space-off, elaborada por Teresa de Lauretis, ou seja, “o espaço não visível no quadro, mas que pode ser inferido daquilo que a imagem torna visível”. Invisibilizados nas narrativas, relegados às posições mais secundárias ou lutando nas margens do campo literário, os grupos subalternos ainda assim são inferidos, pois permanecem como integrantes de uma estrutura social que depende deles para se reproduzir. Silenciadas, as vozes dissonantes integram o espaço discursivo como o opositor velado daqueles que monopolizam a fala. Não se resolvem aqui, nem era essa a intenção deste livro, os dilemas enfrentados pela produção literária contemporânea. Mas são apresentados alguns caminhos alternativos de análise, que permitem avançar na compreensão da literatura em diálogo vivo com o mundo social de onde nasce.


Regina Dalcastagnè e Virgínia Maria Vasconcelos Leal (orgs.). Deslocamentos de gênero na narrativa brasileira contemporânea. Vinhedo: Horizonte, 2010.

Nem sempre estudos sobre a mulher na literatura são estudos feministas, se não estiverem comprometidos com a necessidade de mudanças sobre a realidade circundante. E nem sempre estudos de gênero são exclusivamente sobre as mulheres, se são comprometidos com uma perspectiva relacional, na qual se enquadram os efeitos de significado sobre o qual são efetivadas as formas de ser mulheres e homens. No entanto, o conceito de gênero não deve ser tão esvaziado a ponto de se perder a história das lutas feministas. Os artigos reunidos aqui problematizam muitas dessas questões, tendo em vista a ideia de representação das estruturas de gênero, em especial na narrativa brasileira contemporânea. As autoras são pesquisadoras de diferentes universidades e têm se debruçado sobre o tema com olhares diversos e complementares, sempre relacionando gênero a outras categorias­­ – como classe, nacionalidade, orientação sexual, etnia. Se a identidade é considerada uma busca, uma posição nem sempre fixa do sujeito, o gênero tem importância ímpar, pois está ancorado, culturalmente, na existência corporal concreta. Logo, pensar criticamente em termos de gênero é questionar as formas de hierarquização presentes na sociedade, ainda mais se nos colocamos no campo feminista de pensamento e de ação. Se nem todas e nem todos são livres para se deslocarem assim, tão à vontade, dadas suas condições de existência, não deixamos de acreditar em possibilidades (incluindo aí as possibilidades da literatura e da própria crítica literária) que nos levem a deslocamentos cada vez mais amplos e mais generosos.

Anderson Luís Nunes da Mata. O silêncio das crianças: representação da infância na narrativa brasileira contemporânea. Londrina: Eduel, 2010.


A infância foi explorada por gerações de escritores realistas e modernistas como tempo de passagem para a vida adulta, tema frequentemente trazido à tona de modo simbólico e, ele mesmo, símbolo que condensa tensões, traumas e contradições com vistas a uma condição humana de feição mais adulta que infantil. Nesta perspectiva, O silêncio das crianças traz um estudo comparativo entre obras e autores brasileiros como Miguel Sanches Neto, Paulo Lins, José Louzeiro, Hilda Hilst e Marcelo Mirisola, entre outros, acerca das diferentes representações na infância. Articula, desta forma, as relações entre a literatura e o mundo contemporâneo, colocando a criança como foco principal desse processo.






Regina Dalcastagnè (org.). Ver e imaginar o outro: alteridade, desigualdade, violência na literatura brasileira contemporânea. Vinhedo: Horizonte, 2008.

Ver e imaginar o outro envolve uma operação que admite diferentes gradações, desde percebê-lo dentro de uma estreita relação de interdependência até o extremo oposto, que é constituí-lo como uma alteridade radical. O olhar hegemônico que julga e classifica, sob o qual se fundam as sociedades desiguais, é pautado pela violência, que não é senão o desejo de anulação ou destruição do outro. Um outro cujo aprisionamento em estereótipos e preconceitos implica sua estigmatização, sua degradação, sua exclusão: são pobres, negros, favelados, empregadas domésticas, loucos, imigrantes, mendigos, presidiários, toda sorte, enfim, de deserdados sociais. Uma das marcas da literatura brasileira contemporânea é a estetização da violência que está na base de nossa sociedade. A despeito disso, o espaço da criação literária pode significar também lugar de encontros, de acolhimento das diferenças, de diálogos, de coexistência de múltiplas vozes, de manifestação da alteridade. É para esse ponto – da recusa de injustiças e intolerâncias e da proposta de reação contra elas – que convergem as obras literárias analisadas no conjunto dos dez ensaios, de pesquisadores de diferentes instituições e com diferentes abordagens teóricas, reunidos nesta coletânea.



Stefania Chiarelli.  Vidas em trânsito: as ficções de Samuel Rawet e Milton Hatoum. São Paulo: Annablume, 2007.

Na contramão de trabalhos que buscam identificar o caráter histórico e épico da imigração, este livro destaca aspectos do drama íntimo da figura do imigrante, encontrando neles pontos de partida para se narrar a experiência do transplante cultural. A análise literária de Contos do imigrante (1956), de Samuel Rawet, e Relato de um certo Oriente (1989), de Milton Hatoum, provoca a reflexão a respeito de categorias teóricas como hibridismo, tradução cultural, memória e identidade. O contraponto entre os dois autores busca estabelecer um diálogo entre dois modos de se narrar a experiência da imigração, associando a secura da escrita de Rawet ao aspecto da inadequação, da impossibilidade e do isolamento do imigrante. Por outro lado, identifica a exuberância narrativa de Hatoum, que entrevê na diferença a possibilidade de um repertório enriquecedor, interação que permite sínteses imprevistas. Identificando duas linhagens distintas de escrita,  o estudo mergulha no modo com um autor amazonense descendente de libaneses e outro judeu-polonês descrevem a experiência de se estar entre culturas e entre línguas. 




Giovanna Dealtry, Masé Lemos, Stefania Chiarelli (orgs.). Alguma prosa: ensaios sobre literatura brasileira contemporânea. Rio de Janeiro: 7letras, 2007.


Como pensar a produção literária atual? Que critérios utilizar para avaliá-la? Diante desse desafio, imposto a toda reflexão séria sobre a literatura recente, os/as dezesseis autores/as de Alguma prosa buscam refletir sobre o contemporâneo para além das demarcações cronológicas. A partir da análise de obras de autores como João Gilberto Noll, Chico Buarque, Bernardo Carvalho, Adriana Lisboa, Luiz Ruffato, Milton Hatoum, Conceição Evaristo, Ana Maria Gonçalves, Rubens Figueiredo e Cíntia Moscovich, entre outros, este livro pretende participar de um debate que avança em relação à simples constatação da pluralidade e da diversidade que caracterizariam este momento.









Regina Dalcastagnè. Entre fronteiras e cercado de armadilha: problemas da representação na narrativa brasileira contemporânea. Brasília: Editora UnB, 2005.


O diálogo entre literatura e mundo social é o pano de fundo dos ensaios que formam este livro. Seu principal objeto é a narrativa brasileira contemporânea – aquela que, para nossa intranquilidade, não enfrentou os crivos do tempo, nem da crítica. São discutidas obras de João Ubaldo Ribeiro, Cristovão Tezza, Marilene Felinto, Bernando Carvalho, Rubem Fonseca, João Antônio, Clarice Lispector, Carolina Maria de Jesus, Paulo Lins e vários outros. Trata-se de uma literatura que fala aos nossos dias, com sua temática urbana, suas personagens dilaceradas, até mesmo com as incertezas de seus narradores, tão distantes da onisciência de tempos atrás. Mas que fala também por intermédio de seus silêncios, por tudo que está ausente de suas páginas e que reflete a invisibilidade a que nossa sociedade condena tantos grupos de pessoas. Colocando em questão os critérios do que costumamos chamar de literatura e analisando a representação que a narrativa contemporânea nos oferece de diferentes aspectos do mundo social, este livro convida a uma reflexão engajada e crítica, ainda que receptiva, do fazer literário do Brasil nas últimas décadas.





Regina Dalcastagnè. A garganta das coisas: movimentos de Avalovara, de Osman Lins. São Paulo/Brasília: Editora UnB/Imprensa Oficial do Estado, 2000.


Este livro é uma incursão por uma das experiências mais radicais da literatura brasileira: o romance Avalovara (1973), de Osman Lins. Obra que se narra a si mesma, que exibe sua estrutura e dialoga com o seu tempo, Avalovara não permite uma leitura única, redutora. Exige, bem ao contrário, uma perspectiva múltipla, baseada em diferentes campos da arte e do conhecimento. É este o olhar proposto por A garganta das coisas – o olhar de um viajante que busca reconstruir a viagem de um outro. Dividido em três partes, o livro busca, em um primeiro momento, analisar a distribuição espacial do romance: desde sua estrutura, que já nasce vinculada à estética medieval, até a relação do protagonista com as cidades que percorre – na Europa – e com aquelas que traz dentro de si – do nordeste brasileiro. A segunda parte discute o tempo e suas múltiplas implicações, seja na organização da matéria narrativa, seja na relação da personagem com seu processo histórico e constitutivo. Por fim, a última parte fala da criação e de seus enfrentamentos. Primeiro, entre o criador e a opressão que o nega, o contamina e, muitas vezes, o destrói. Depois, entre o criador e o objeto de sua criação – no caso, a palavra.




Regina Dalcastagnè. O espaço da dor: o regime de 64 no romance brasileiro. Brasília: Editora UnB, 1996.


A partir da leitura de um conjunto de nove romances que têm como tema central a vida sob a ditadura instaurada em 1964 no Brasil, este livro discute os modos possíveis encontrados por escritores e escritoras para dizer da opressão. Indo do realista ao alegórico, do elíptico ao intimista, os romances de Antônio Callado, Ignácio de Loyola Brandão, Ivân Ângelo, Érico Veríssimo, José J. Veiga, Josué Guimarães, Lygia Fagundes Telles, Salim Miguel e Ana Maria Machado, contribuíram para o registro daquilo que não se podia falar: a tortura, os assassinatos, as perseguições, a corrupção, a própria censura. São obras que permanecem, hoje, como cicatrizes profundas – marcas de um tempo que não admite ser esquecido.